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A indústria continua com problemas

A produção física da indústria apresentou queda de 11,6% em relação ao mesmo período de 2008

Fonte: EstadãoTags: industria

O quadro apresentado ontem pelo IBGE, dos nove primeiros meses do ano, não autoriza afirmar que o País passou incólume pela crise internacional e leva a questionar o triunfalismo do discurso do governo, embora já se registrasse, em setembro, uma ligeira reação.

A produção física da indústria apresentou queda de 11,6% em relação ao mesmo período de 2008, a quantidade de pessoal assalariado ocupado caiu 5,6%, o número de horas pagas foi 6,3% menor, a folha de pagamento nominal cresceu 2,4%, mas a real caiu 4,9%. Nada leva a concluir que a economia industrial não sofreu com a crise.

No entanto, os dados do comércio varejista, que conhecemos, até agora, apenas para os sete primeiros meses do ano, apresentam um crescimento de 4,7% e, certamente, até setembro exibirão melhor desempenho, levando em conta os números parciais disponíveis.

Essa diferença entre o crescimento do consumo e o da produção industrial se explica em parte pela queda das exportações e pelo aumento das importações que mostram claramente como o câmbio, com a moeda nacional valorizada, é um sério problema para a política econômica.

A indústria, descapitalizada e sem meios de enfrentar a concorrência internacional, perde terreno e terá dificuldades para recuperar seu potencial. Não está se desenvolvendo num clima que estimule a inovação como parecem mostrar os dados divulgados acima.

O consumo interno evoluiu de modo robusto em razão de dois fatores que poderão afetar a médio prazo a economia brasileira: uma forte expansão do crédito para as pessoas físicas e um aumento do funcionalismo, tanto do número dos funcionários quanto do valor dos seus salários.

Analisando ontem esse último problema em editorial, lembramos que a folha salarial do funcionalismo federal, para os nove primeiros meses, cresceu 18,1% em termos nominais ante os 2,4% de janeiro a setembro na indústria. O problema é que se trata de um aumento que não pode ser reduzido e que exercerá pressão permanente sobre as finanças públicas.

O aumento do crédito para as pessoas físicas, que em nove meses passou de 13,3% do PIB para 15,3%, poderá representar a médio prazo um outro problema, pela incapacidade de alguns mutuários de honrar os seus compromissos. O estímulo ao consumo talvez não seja a melhor política: se fosse decorrente de investimentos, seus efeitos seriam melhores.